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Como a solidão afeta a saúde na velhice?

Publicado em 21/10/2024


Solidão na velhice: por que manter vínculos sociais é essencial
Atualmente, a expectativa de vida no Brasil ultrapassa os 76 anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2000 e 2023, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou, passando de 8,7% para 15,6%. A projeção para 2070 indica que quase 38% da população brasileira será idosa. Esse cenário reforça a necessidade de pensar não apenas em viver mais, mas em viver bem.
Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicada na revista Cadernos de Saúde Pública, revelou que quase 17% dos idosos relatam sentir solidão constante, e 31,7% afirmam se sentir sozinhos ocasionalmente.
Segundo Naira Dutra Lemos, assistente social, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), “a solidão na velhice pode afetar profundamente a saúde física e mental. Nessa fase, muitas pessoas enfrentam a perda de entes queridos, a redução da rede social, limitações de mobilidade e o afastamento de antigos amigos, aumentando os riscos de isolamento”.
Efeitos da solidão na saúde
A solidão pode impactar diversas áreas da vida do idoso:
Saúde mental: aumenta sentimentos de ansiedade, medo e insegurança, especialmente pela falta de interações sociais.
Sentimento de inutilidade: a ausência de atividades laborais ou sociais pode levar o idoso a se sentir improdutivo ou sem propósito.
Declínio cognitivo: estudos indicam que a solidão crônica pode acelerar o declínio cognitivo e elevar o risco de demências.
Problemas cardiovasculares: o estresse crônico ligado à solidão aumenta a vulnerabilidade a doenças do coração.
Distúrbios do sono: isolamento e baixa atividade durante o dia podem prejudicar o sono e gerar insônia ou medo de dormir sozinho.
Sedentarismo: a falta de atividades físicas aumenta o risco de doenças crônicas.
A importância da rede de apoio
Ter uma rede de apoio — familiar ou composta por amigos — é fundamental na velhice. Essa rede ajuda a organizar cuidados com a saúde, finanças, decisões do dia a dia e oferece suporte emocional. No entanto, é justamente nessa fase que muitas vezes esses laços se fragilizam.
Naira explica: “Com o envelhecimento, nossa rede tende a diminuir. Amigos de infância e de trabalho se afastam, mas é justamente nesse momento que precisamos mais de apoio emocional. Por isso, é importante manter e fortalecer esses vínculos, além de buscar novas amizades, se possível, ainda antes da velhice”.
Vale destacar que o suporte social nem sempre precisa vir da família. “Às vezes, a família não oferece laços afetivos fortes. Nesses casos, é essencial procurar outros espaços sociais que possam complementar a rede de apoio”, acrescenta a especialista.
Atividades sociais e interesses pessoais
Manter atividades sociais é essencial, mas não existe uma “receita única”. Cada pessoa deve buscar atividades que tragam satisfação, sejam elas físicas, intelectuais ou manuais. Profissionais como terapeutas ocupacionais e assistentes sociais podem ajudar a identificar interesses e motivar a participação.
Suporte psicológico
O acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode ser importante para lidar com mudanças significativas da velhice, como perdas, lutos, limitações físicas, declínio cognitivo ou questões existenciais. Naira ressalta: “É essencial procurar apoio quando houver alterações de humor persistentes, insônia, apatia ou irritabilidade. Esse acompanhamento também pode ser preventivo, ajudando a enfrentar fases de transição da vida”.

Fonte: Site Drauzio Varella



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