Publicado em 24/11/2024
As queixas sobre cansaço exagerado tornam-se cada vez mais frequentes nos consultórios médicos. A rotina acelerada dos grandes centros urbanos ajuda a explicar boa parte desses relatos. Em comparação com o passado, o ritmo de vida atual é muito mais intenso: a quantidade de tarefas, responsabilidades e compromissos diários exige esforço físico e equilíbrio emocional constantes. Para agravar a situação, a tecnologia — com e-mails, redes sociais e a presença permanente dos celulares — nos mantém conectados durante praticamente todo o período em que estamos acordados, submetendo-nos a múltiplas demandas simultâneas.
Embora esse contexto explique muitos casos de esgotamento físico e mental, nem todo cansaço pode ser atribuído apenas ao estresse do dia a dia. Existe também a encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica (EM/SFC), condição caracterizada por fadiga intensa e persistente, que geralmente surge após infecções virais ou bacterianas. Por muito tempo, a ausência de exames específicos e a dificuldade de diferenciar a síndrome do estresse comum fizeram com que pacientes fossem desacreditados ou tivessem seus sintomas atribuídos a causas exclusivamente psicológicas.
Pesquisas recentes, publicadas na revista Nature Communications e conduzidas pelo U.S. National Institute of Neurological Disorders and Stroke, indicam que a doença envolve alterações neurológicas e imunológicas. Exames de imagem revelaram redução da atividade em áreas cerebrais relacionadas ao controle dos movimentos, além de alterações como aumento da frequência cardíaca, hipotensão postural e mudanças na resposta do sistema imunológico.
As evidências reforçam que a EM/SFC é uma doença neurológica complexa, com repercussões também no sistema imune — e não apenas consequência de fatores emocionais. Apesar de ainda não existir tratamento específico capaz de curá-la, os avanços científicos ajudam a ampliar a compreensão sobre a condição e a validar o sofrimento dos pacientes.
Fonte: Site Drauzio Varella