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Esclerose múltipla: sintomas, diagnóstico e tratamentos

Publicado em 29/01/2025


Esclerose múltipla: avanços no diagnóstico e tratamento
A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica crônica que afeta o sistema nervoso central, provocando inflamações capazes de prejudicar funções motoras, sensoriais e cognitivas. Apesar de ainda não existir cura definitiva, os avanços na medicina e a variedade de terapias disponíveis têm transformado significativamente a vida das pessoas que convivem com a condição.
Segundo o neurologista Felipe Ghlen, do Hospital Sírio-Libanês Brasília e do Hospital Brasília Águas Claras, compreender os sinais iniciais, as etapas do diagnóstico e as alternativas de tratamento é essencial para garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.
Sintomas variados e de difícil identificação
Os sintomas da EM são imprevisíveis, refletindo a localização das inflamações no sistema nervoso central. “Se a inflamação atinge o cerebelo, o paciente pode apresentar desequilíbrio, tremores ou dificuldade de coordenação. Se afeta a via visual, pode haver alterações na visão, incluindo cegueira. Também podem ocorrer alterações na força e na sensibilidade em qualquer membro. Por isso, a esclerose múltipla muitas vezes se confunde com outras doenças neurológicas”, explica Dr. Felipe.
O diagnóstico da EM é de exclusão, dependendo de exames de ressonância magnética do neuroeixo (cérebro, medula espinhal e estruturas associadas), além de análises laboratoriais e do líquor. Não existe um sintoma único que indique a doença, o que torna o processo investigativo ainda mais complexo e pode atrasar o início do tratamento adequado.
O desafio do diagnóstico
“Não há biomarcadores exclusivos para a esclerose múltipla. O diagnóstico é feito a partir da combinação de dados clínicos, radiológicos e laboratoriais, seguindo os critérios de McDonald, revisados em 2017 e 2024”, afirma o especialista.
Esses critérios permitem comprovar a disseminação das lesões no espaço e no tempo, além de excluir outras doenças. As revisões recentes incorporaram novos biomarcadores de imagem e laboratoriais e incluíram o nervo óptico como área válida para o diagnóstico. Na prática, isso exige que os médicos integrem informações de exames, histórico clínico e análises laboratoriais para confirmar a doença, tornando a jornada do paciente muitas vezes longa até a confirmação do diagnóstico.
Perfil dos pacientes
A EM apresenta maior incidência em mulheres jovens, seguindo um padrão observado em outras doenças autoimunes. Segundo Dr. Felipe, a proporção é de 2 a 3 mulheres para cada homem. Embora a causa exata seja desconhecida, acredita-se que hormônios sexuais influenciem o sistema imunológico, tornando-o mais reativo. Após a menopausa, essa diferença entre os sexos tende a diminuir. Esse dado reforça a necessidade de atenção especial à saúde da mulher em idade reprodutiva, quando os impactos da doença podem ser mais intensos.
Avanços no tratamento
No passado, o diagnóstico de EM era associado à perda progressiva de autonomia. Hoje, a realidade é bem diferente. “Existem mais de dez opções de tratamento, incluindo medicamentos de alta eficácia capazes de reduzir quase a zero a ocorrência de surtos e a atividade da doença observada em ressonância magnética. Esses avanços permitem que muitos pacientes levem uma vida praticamente normal”, explica o neurologista.
O próximo objetivo da pesquisa é desenvolver terapias que possam frear a progressão da doença em pacientes sem surtos, além de explorar possíveis candidatos à cura, ainda em fases iniciais de estudo. Graças a esses avanços, muitos pacientes conseguem manter suas rotinas de trabalho, estudo e lazer sem limitações significativas, uma realidade inimaginável há poucas décadas.
Embora desafios permaneçam, como a ausência de biomarcadores específicos e a necessidade de tratamentos para casos mais resistentes, a ciência continua avançando, mantendo a esperança de que, no futuro próximo, seja possível controlar completamente a doença ou até mesmo alcançar a cura.

Fonte: Site Drauzio Varella



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