Publicado em 21/03/2025
Alimentação saudável e ultraprocessados: impactos e cuidados
Uma alimentação adequada e saudável promove a saúde e vai além: ela depende de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável. Basear a dieta em alimentos in natura e minimamente processados faz bem não só para o indivíduo, mas também para a sociedade e o meio ambiente, preservando a cultura e fortalecendo a economia local.
Por outro lado, a indústria de alimentos ultraprocessados atua na contramão disso. A produção, distribuição e comercialização desses produtos podem ser prejudiciais ao meio ambiente e, em larga escala, ameaçar a sustentabilidade do planeta.
O impacto da publicidade de ultraprocessados
Um dos maiores obstáculos para hábitos saudáveis é a publicidade desses alimentos, que domina anúncios comerciais e frequentemente veicula informações incorretas ou incompletas, atingindo principalmente crianças e jovens.
De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, a indústria utiliza diversas estratégias: comerciais na TV e rádio, anúncios em jornais e revistas, matérias na internet, amostras grátis, brindes, promoções, posicionamento estratégico nas prateleiras e embalagens atraentes.
Quando voltada para crianças, a publicidade é ainda mais preocupante. Os pequenos estão em desenvolvimento e não conseguem compreender plenamente as mensagens. Muitas propagandas fazem parecer que os ultraprocessados:
Têm qualidade superior;
Tornam as pessoas mais felizes, fortes ou socialmente aceitas;
São necessários para esportes ou atividades físicas.
Crianças menores de 2 anos: atenção especial ao açúcar
Segundo o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos, crianças nessa faixa etária não devem consumir açúcar de nenhum tipo — seja branco, mascavo, demerara, mel ou xarope de milho. Também devem evitar preparações que contenham açúcar, como bolos, biscoitos, doces e geleias, incluindo sucos naturais.
O motivo: nessa fase, o paladar das crianças está em formação e já é naturalmente mais favorável ao doce. Exposição precoce ao açúcar prejudica a aceitação de alimentos in natura e minimamente processados, como verduras e legumes. Além disso, os dois primeiros anos são cruciais para o desenvolvimento do sistema nervoso e cognitivo.
Como a publicidade influencia hábitos alimentares
A publicidade para crianças utiliza elementos que elas mais gostam — desenhos, heróis, brinquedos e jogos — e associa os ultraprocessados ao crescimento saudável. Isso pode levar pais e cuidadores a acreditar que esses alimentos são benéficos, mesmo não sendo.
Esses produtos também estão presentes nos espaços de convivência das crianças, como escolas, parques e restaurantes, tornando-as um público-alvo cada vez mais precoce. As crianças influenciam as escolhas de compra da família e formam hábitos que podem durar a vida inteira.
“Quem vê cara, não vê embalagem”
Outro artifício é a reformulação de produtos: versões light, diet ou enriquecidas com vitaminas e fibras. Muitas vezes, essas mudanças não trazem benefícios claros e podem dar a falsa impressão de que o produto é saudável.
Exemplos de problemas comuns:
Redução de gordura compensada pelo aumento de açúcar;
Adição de fibras ou micronutrientes sintéticos que não reproduzem a função do nutriente natural.
O risco é que os consumidores passem a ingerir esses produtos com frequência, acreditando que não precisam ser evitados.
Como superar o obstáculo da publicidade
Superar esse desafio envolve ações coletivas e individuais:
A nível regulatório:
O Estado pode impor regras e restrições para anúncios, especialmente voltados para crianças.
A nível familiar e educacional:
Limitar o tempo de exposição da criança a comerciais;
Explicar que anúncios são estratégias de venda;
Estimular brincadeiras ativas, como dançar, correr, cantar e interagir com objetos e pessoas, que promovem mais desenvolvimento do que ficar em frente a telas.
A nível individual:
Tornar-se crítico quanto a informações e mensagens sobre alimentação;
Valorizar a aquisição, preparo e consumo consciente dos alimentos.
O Guia Alimentar reforça que refletir sobre a alimentação e dar importância ao processo de escolher e consumir alimentos é essencial para formar hábitos mais saudáveis e conscientes.
Fonte: Ministério da Saúde