Publicado em 08/04/2025
Ictiose: o que é, causas, diagnóstico e tratamento
O termo ictiose tem origem no grego ichthys, que significa peixe, fazendo referência ao aspecto escamado que a pele pode apresentar nessa condição. Trata-se de uma doença caracterizada principalmente por alterações cutâneas que deixam a pele muito seca, espessa e com descamação evidente.
Dependendo do tipo e da intensidade, as manifestações podem surgir apenas em regiões como braços e pernas ou atingir áreas mais amplas, incluindo tronco, costas e rosto. Em quadros mais severos, a descamação pode se espalhar por praticamente todo o corpo.
Causas da ictiose
As ictioses são classificadas em dois grandes grupos: congênitas e adquiridas.
As formas congênitas estão presentes desde o nascimento e têm origem genética, sendo transmitidas hereditariamente. Existem diferentes subtipos dentro dessa categoria, variando conforme o tipo de mutação envolvida e o grau de comprometimento da pele.
Já as formas adquiridas surgem ao longo da vida e podem estar associadas a diversos fatores, como:
Climas muito secos
Envelhecimento
Uso de determinados medicamentos
Alterações metabólicas
Distúrbios da tireoide
Insuficiência renal
Deficiências vitamínicas
Em alguns casos, mais de um fator pode contribuir para o desenvolvimento do quadro.
Do ponto de vista biológico, a ictiose está relacionada a uma alteração no processo de queratinização — mecanismo responsável pela formação e renovação das camadas superficiais da pele. Quando esse processo ocorre de forma inadequada, há acúmulo de células mortas, resultando na descamação característica.
A falta de tratamento pode agravar o quadro, comprometendo a função de barreira da pele. Isso favorece a perda excessiva de água, aumenta a sensibilidade e pode elevar o risco de infecções. Além do desconforto físico, como coceira intensa, também pode haver impacto emocional e social.
Diagnóstico
O diagnóstico nem sempre é simples, especialmente nas formas adquiridas. Em casos congênitos, podem ser realizados exames genéticos e bioquímicos, embora nem sempre estejam amplamente disponíveis. O histórico familiar pode auxiliar na identificação de alguns subtipos.
Nos quadros mais leves, pode haver confusão com xerose cutânea (ressecamento comum da pele). Por isso, a avaliação de um dermatologista é fundamental para diferenciar as condições e indicar a abordagem correta.
A ictiose pode afetar pessoas de qualquer idade, gênero ou etnia. Em alguns casos, manifesta-se logo ao nascimento; em outros, pode surgir durante a infância ou adolescência. A gravidade varia conforme o tipo e os fatores associados.
Tratamento
O tratamento da ictiose tem como principal objetivo o controle dos sintomas, já que, na maioria dos casos, não há cura definitiva.
Os cuidados diários com a pele são essenciais e incluem:
Banhos mornos
Uso moderado de sabonetes
Aplicação regular de hidratantes e emolientes logo após o banho
É importante evitar a remoção forçada das escamas, pois isso pode causar lesões e facilitar a entrada de microrganismos.
Nos casos mais graves, o dermatologista pode indicar medicamentos específicos, como retinoides orais, que ajudam a reduzir a descamação e melhorar o aspecto da pele.
Mesmo quando há melhora significativa, a manutenção dos cuidados deve ser contínua, pois a condição pode reaparecer ou se intensificar se não houver acompanhamento adequado.
Importância do acompanhamento médico
Diante de qualquer alteração persistente na pele, é recomendável procurar avaliação dermatológica. O acompanhamento profissional permite orientar o uso correto de produtos, ajustar o tratamento conforme a necessidade e melhorar significativamente a qualidade de vida da pessoa com ictiose.
Nas formas mais leves, tanto congênitas quanto adquiridas, é possível manter uma rotina normal, sem prejuízos às atividades sociais, profissionais ou pessoais, desde que o cuidado com a pele seja constante e adequado.
Fonte: Site Drauzio Varella