Publicado em 4/3/2026
04 de março é o Dia Mundial da Obesidade, uma data que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre um dos maiores desafios de saúde pública do século.
No Brasil, o cenário é preocupante. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade, cerca de 68% da população adulta está acima do peso. Desse total, 31% vivem com obesidade e 37% apresentam sobrepeso em níveis que já causam impactos diretos à saúde. Mantido o ritmo atual, as estimativas indicam que quase metade dos adultos brasileiros poderá ter obesidade nas próximas décadas.
Para o médico Marcelo Carneiro, especialista em obesidade e sobrepeso e cirurgião bariátrico, o momento exige atenção imediata. “Não estamos falando de uma tendência futura, mas de uma realidade que já impacta milhões de pessoas. É fundamental reforçar que a obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Não se trata apenas de alimentação inadequada, sedentarismo ou questão estética. Envolve fatores hormonais, genéticos, emocionais e socioeconômicos”, afirma.
Doenças associadas
Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que, desde 2006, os casos de diabetes cresceram cerca de 135%, enquanto os diagnósticos de hipertensão aumentaram 31% no país — condições diretamente associadas ao avanço da obesidade.
“A obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, agrava quadros de hipertensão e está entre os principais fatores relacionados a eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC”, alerta o médico.
O risco das soluções imediatas
Apesar da gravidade do problema, o debate público ainda é superficial e costuma ganhar destaque apenas em datas específicas. Ao mesmo tempo, cresce a busca por soluções rápidas, como medicamentos popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, muitas vezes utilizados sem acompanhamento profissional.
“O uso desses medicamentos sem orientação médica pode trazer riscos. Não existe tratamento isolado ou fórmula mágica. O cuidado precisa ser individualizado, contínuo e baseado em avaliação médica”, enfatiza o especialista.
É fundamental reforçar a importância da alimentação equilibrada e do acompanhamento médico adequado. Adotar hábitos saudáveis, com uma dieta balanceada, prática regular de atividade física e cuidados com a saúde mental, é parte essencial da prevenção e do tratamento da obesidade. No entanto, cada pessoa possui necessidades específicas, e o suporte de um médico é indispensável para avaliar riscos, indicar o tratamento mais adequado e garantir um cuidado seguro, individualizado e contínuo.
Fonte: Terra