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Abril azul: Mês de Conscientização sobre Autismo

Publicado em 06/04/2026


Autismo: conscientização, diagnóstico e desafios da inclusão na sociedade
As relações sociais nem sempre são simples. Nem sempre é possível manter uma boa comunicação, ter interações fáceis ou até mesmo apresentar comportamentos considerados adequados pela sociedade.
Agora imagine viver em uma realidade marcada por atraso na linguagem, dificuldades de comunicação e expressões faciais ou gestos que nem sempre correspondem aos sentimentos. Imagine não conseguir pronunciar palavras simples como “mãe” ou “pai” ainda na infância, passar por momentos de inquietude e, em alguns casos, apresentar regressão de habilidades.
Essas situações fazem parte da realidade de muitas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Por isso, falar sobre o tema e ampliar o conhecimento da sociedade é essencial para promover mais inclusão, respeito e qualidade de vida para quem vive dentro do espectro.
Abril Azul e a conscientização sobre o autismo
O mês de abril é marcado pela campanha Abril Azul, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de conscientizar a população sobre o autismo, ampliar o debate sobre o tema e incentivar uma sociedade mais inclusiva.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo estão dentro do espectro autista. Apesar disso, ainda existe muita desinformação, o que contribui para preconceitos e dificuldades de inclusão social.
Promover conhecimento é um passo importante para transformar essa realidade.
O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
O Transtorno do Espectro Autista é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, dificuldades na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamentos repetitivos ou restritos.
Até o momento, não existe uma causa única comprovada para o autismo. Estudos apontam que o TEA está relacionado à interação de fatores genéticos e ambientais.
De acordo com a psicopedagoga Ariany Guerra, o transtorno está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria.
Segundo o manual, o autismo é caracterizado principalmente por:
dificuldades de interação social
alterações na comunicação
comportamentos repetitivos e restritos
Essas manifestações podem ocorrer em diferentes níveis de suporte: leve, moderado ou severo.
A Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde, também apresenta subdivisões relacionadas à presença ou não de deficiência intelectual e ao comprometimento da linguagem.
Apesar dessas classificações clínicas, é importante destacar que o autismo não é uma doença, e sim uma condição do neurodesenvolvimento. Por isso, não possui cura, mas pode contar com acompanhamento especializado que contribui para o desenvolvimento e a qualidade de vida da pessoa autista.
Sinais que podem ajudar no diagnóstico
A psicóloga Kariny Ribeiro, especialista em Intervenção ABA (Análise do Comportamento Aplicada) para autismo e deficiência intelectual, explica que alguns sinais podem ser observados ainda nos primeiros meses de vida da criança.
Entre eles estão:
ausência de contato visual
dificuldade em responder a estímulos sonoros
não reagir quando chamado pelo nome
atraso em marcos motores, como sentar ou engatinhar
atraso no desenvolvimento da fala
“Para o fechamento do diagnóstico são observados três critérios principais: comportamentos repetitivos e restritos, dificuldades de socialização e alterações na linguagem”, explica a especialista.
Os primeiros estudos sobre o autismo surgiram na década de 1930, mas apenas nos últimos anos o tema ganhou maior visibilidade e passou a ser amplamente discutido.
Atualmente, pesquisas indicam que uma em cada 36 pessoas pode estar dentro do espectro autista.
Outro aspecto que vem sendo observado é o aumento de diagnósticos em adultos. Na maioria das vezes, não se trata de um aumento real da condição, mas sim de diagnósticos que não foram identificados na infância.
Para muitas pessoas, receber o diagnóstico na vida adulta traz alívio e ajuda a compreender comportamentos e dificuldades vivenciados ao longo da vida.
Níveis de suporte no autismo
Segundo a psicóloga Maria Reijane Rodrigues, os níveis de suporte do autismo indicam o grau de apoio que a pessoa pode necessitar no dia a dia.
Nível leve: a pessoa apresenta algumas dificuldades, mas necessita de menos suporte.
Nível moderado: há necessidade de apoio mais constante, especialmente em comunicação e interação social.
Nível severo: a pessoa necessita de suporte mais intenso devido a prejuízos significativos nas interações sociais.
Embora o autismo infantil seja mais discutido, cada vez mais adultos têm reconhecido características do transtorno em suas próprias histórias.
Ainda assim, quanto mais cedo ocorre o diagnóstico — geralmente entre os dois e três anos de idade — maiores são as possibilidades de desenvolvimento e autonomia com o acompanhamento adequado.
Os desafios da inclusão
Entre os principais desafios enfrentados por pessoas autistas e suas famílias está a inclusão em diferentes ambientes da sociedade.
No contexto escolar, muitas instituições ainda não possuem profissionais capacitados ou recursos suficientes para adaptar o ensino às necessidades de crianças dentro do espectro.
Espaços de lazer e convivência social também nem sempre estão preparados para oferecer acolhimento e compreensão.
Segundo especialistas, avanços nas políticas públicas e no debate social têm contribuído para ampliar os direitos das pessoas autistas. Campanhas como o Abril Azul ajudam a fortalecer a conscientização e estimular atitudes mais empáticas na sociedade.
“O objetivo da conscientização é diminuir o preconceito e promover inclusão e respeito. Precisamos tirar a inclusão do papel e levá-la para o cotidiano, dentro de casa, nas escolas e no trabalho”, destaca a psicóloga Kariny Ribeiro.
A simbologia do azul no autismo
A cor azul passou a ser associada ao autismo por transmitir sensação de calma e equilíbrio, características que podem ajudar em momentos de sobrecarga sensorial, comuns em algumas pessoas dentro do espectro.
Atualmente, o autismo também é representado pelo símbolo do infinito colorido, criado por pessoas autistas para representar a neurodiversidade e as diferentes formas de expressão dentro do espectro.
Cordão Girassol e deficiências ocultas
O Cordão Girassol é um acessório utilizado para identificar pessoas com deficiências ocultas, ou seja, condições que não são visíveis à primeira vista.
Entre elas estão:
autismo
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
demências
doença de Crohn
colite ulcerosa
algumas fobias severas
O cordão foi criado em 2016, em Londres, e possui fundo verde com desenhos de girassóis. Ele funciona como um sinal de que a pessoa pode precisar de compreensão, apoio ou atendimento prioritário.

Fonte: Ministério da Saúde



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